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Na prática, a iniciativa poderia ajudar a conter possíveis impactos
negativos do aumento das importações devido à relação
cambial, além de estimular a indústria local. Segundo Coutinho,
o BNDES não precisaria mudar regras de financiamento e sim avaliar,
de forma aprofundada, o conceito de conteúdo local em cada projeto.
Recentemente, o banco notou enfraquecimento de participação da
indústria nacional por "utilização de critérios
não tão precisos de avaliação da produção
e da agregação de valor". "Às vezes, inflam-se
determinados custos para dizer que são conteúdo local e enxertase
mais importação. Essas distorções oportunistas, que vieram com a apreciação
do câmbio,precisam ser corrigidas", explicou. Assim, quem se dispusesse a conceder maior porcentual de conteúdo local
em um empreendimento, dentro das regras do BNDES Finame, por exemplo, poderia
dispor de cobertura maior do banco no total financiado. "Posso dar porcentual de financiamento maior para quem agrega mais. O
teto (da cobertura) varia, mas a exigência mínima de conteúdo
local é de 60%. Então quem agregar mais, posso dar cobertura maior. Essa poderia ser
uma possibilidade, mas isso é apenas uma hipótese, não
quero adiantar", afirmou, após participar de evento da IBM ontem,
no Teatro Municipal, no Rio, sobre cidades inteligentes. No primeiro semestre, o BNDES já havia aventado a hipótese,
quando renovou o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). O ambiente de turbulência na Europa pode oferecer uma janela de oportunidade
para a iniciativa privada brasileira. Para Coutinho, embora o setor bancário global apresente sinais negativos,
o mesmo não se pode dizer do ambiente empresarial mundial. "O setor
corporativo está relativamente bem e saudável, tanto na Europa
como nos Estados Unidos. E o setor corporativo tem saúde financeira e vai precisar investir
em economias que estejam crescendo e que tenham potencial de sustentação
do investimento", afirmou, acrescentando que o Brasil poderia ser uma
opção nesse contexto. Coutinho foi questionado se o ambiente de incerteza externa poderia conduzir à fuga
de capitais estrangeiros no Brasil, devido à perspectiva de cautela
em investimentos em momentos de crise. Ele afirmou que esta análise
seria correta se o setor corporativo se encontrasse em situação
difícil. "Estamos vendo o ingresso de investimento estrangeiro
reforçado em várias áreas. A cadeia de óleo e gás é uma obviedade, já tem
atraído muitos investimentos. A indústria automotiva também.
O que precisamos fazer é ter política acolhedora em relação
ao investimento direto estrangeiro", frisou. |
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